Deveria ser o que é. O meio da caminhada. O meio pelo qual
se aprende. O meio pelo qual vivenciamos o amor. O meio onde criamos nosso
espaço, nossos frutos. O meio para um exercício puxado de autoconhecimento e transformação.
Mas muita gente acredita que é mesmo o fim ou o começo. A
linha de chegada de uma prova de atletismo, o comprovante fiscal. A bandeirada
depois de uma busca que foi longa, exaustiva. Fim dos medos de ficar só. Fim
dos medos de errar. Será?
O conhecido “enfim” sós, não tem nada de enfim. É mais um
dia da caminhada, agora mais compremetido, mais decidido a encarar os desafios
e alegrias que vêm, e a gente sabe que vêm. O casamento é tão especial quanto são
todos os outros dias, aquele em que você
toma sopa de abóbora com quem você ama.
Ok, ok, a cerimônica tem um charme todo dela, isso ninguém
pode negar. Jardins provençais, pé na areia com ele, quem nunca? O que estou
querendo dizer é que vale celebrar os outros. Se não for jogar um bouquet,
vamos jogar uma margarida pelos dias comuns! Os que costuram a vida, que nos
acontecem antes e depois. Momentos de carinho e intimidade e também os de
reticência, impaciência, incertezas, aprendizados. Esses dias que a gente ama,
mesmo sem saber do amanhã.
O dia do casamento será sempre Ele. Porque senão não existiram
os bem-casados de lembrancinha e aí o mundo estava perdido. Mas caminhar juntos
tem que ser tão valorizado quanto chegar a esse fim. É como se, por um momento,
a gente mudasse as lentes para ver as coisas de uma forma maior. Enxergar cada um dos dois, como chegamos e como
estamos caminhando agora. Olhar para o percurso bonito, aqui, bem do lado de dentro, não só do lado de fora. E se preparar para outras tantas léguas de mãos dadas.
Se Casamento fosse o fim, que não se esqueça, não iria estar
justamente no meio do caminho.
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