quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Enfim sós


Deveria ser o que é. O meio da caminhada. O meio pelo qual se aprende. O meio pelo qual vivenciamos o amor. O meio onde criamos nosso espaço, nossos frutos. O meio para um exercício puxado de autoconhecimento e transformação.
Mas muita gente acredita que é mesmo o fim ou o começo. A linha de chegada de uma prova de atletismo, o comprovante fiscal. A bandeirada depois de uma busca que foi longa, exaustiva. Fim dos medos de ficar só. Fim dos medos de errar. Será?

O conhecido “enfim” sós, não tem nada de enfim. É mais um dia da caminhada, agora mais compremetido, mais decidido a encarar os desafios e alegrias que vêm, e a gente sabe que vêm. O casamento é tão especial quanto são  todos os outros dias, aquele em que você toma sopa de abóbora com quem você ama.

Ok, ok, a cerimônica tem um charme todo dela, isso ninguém pode negar. Jardins provençais, pé na areia com ele, quem nunca? O que estou querendo dizer é que vale celebrar os outros. Se não for jogar um bouquet, vamos jogar uma margarida pelos dias comuns! Os que costuram a vida, que nos acontecem antes e depois. Momentos de carinho e intimidade e também os de reticência, impaciência, incertezas, aprendizados. Esses dias que a gente ama, mesmo sem saber do amanhã.


O dia do casamento será sempre Ele. Porque senão não existiram os bem-casados de lembrancinha e aí o mundo estava perdido. Mas caminhar juntos tem que ser tão valorizado quanto chegar a esse fim. É como se, por um momento, a gente mudasse as lentes para ver as coisas de uma forma maior.  Enxergar cada um dos dois, como chegamos e como estamos caminhando agora. Olhar para o percurso bonito, aqui, bem do lado de dentro, não só do lado de fora. E se preparar para outras tantas léguas de mãos dadas.

Se Casamento fosse o fim, que não se esqueça, não iria estar justamente no meio do caminho.

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